segunda-feira, 31 de outubro de 2016

389 - A ilusão de uma certeza

O ateísmo me soa como uma arrogância explícita já que a base do gnosticismo se dá pelo fato da
questão divina nunca ter sido e jamais o poderá ser compreendida; isso sim me parece correto. O divino pode como não pode existir, de maneira que jamais alguém poderá afirmar na absoluta certa: Deus existe! – Assim como de maneira alguma poderão afirmar o contrário. Pois sendo ou não, nunca teremos como provar, seja qual for a nossa opinião.



Eu entendo que devido a perfeição milimétrica de milhões de componentes, os quais ainda interagem entre si e ao mesmo tempo formam o equilíbrio de um outro todo perfeito, uma força de poder extremo deva obrigatoriamente coordenar a tudo. Assim sendo, nós humanos, incapazes de compreendermos esse ser tão complexo, estamos ao longo dos séculos criando deuses e divindades para nos aproximarmos disso, ou nos “religarmos”, sendo que a palavra religar é que da o sentido a palavra “religião”, que é exatamente o mencionado agora.

Quem somos nós para batermos no peito e zombar do inocente ao dizer ou pensar: Deus não existe! – Não parece isso uma óbvia petulância? Quem somos nós para pensarmos saber de alguma coisa? Em contrapartida, afirmar sua existência é errar igualmente. Logo, é assim que entramos no quesito "fé". As pessoas podem ter fé, mas não uma certeza. Assim como um ateu pode ter fé que o divino não existe, mas nunca uma certeza.

Quando nos dizemos certos de algum ponto filosófico estamos na verdade nos limitando, em processo vagaroso de imbecilidade. Essa ilusão de certeza não é e nem nunca será um troféu dourado para seu portador sair pelas ruas exibindo sua torpe nobreza. Convém sabermos que não existem troféus e nem certezas. O que existe do lado puro são os medrosos, e do outro uma gente vaidosa metida a intelectual.

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