segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

382 - O soco só dói quando é na sua cara

A multidão dos furiosos aponta o vasto dedo na cara dos radicais islamistas, gritando: Terroristas, terroristas, queimem no inferno! – O que não se aperceberam é que no “inferno” eles já estão vivendo.

Não há como conceber o fato de uma existência ser boa, prazerosa ou digna se ela se resumir na única e patética missão de ter de sacrificar a própria vida em prol daquele mesmo que a deu. Isso é obviamente um corrompimento grave na comunicação de sinapses cerebrais em algum campo de suma importância.

No entanto, não vou me ater a psicologia neste e falar de doentes. Falarei dos “brilhantes”, as mentes criativas geniais que foram barbaramente assassinadas.

É fácil se esconder em uma caneta e transformar-se em grande dragão, soltando fogo para todos os lados, queimando quem quer que seja, não importando quem. Nós acusamos os radicais por se ofenderem, mas e se a ofensa fosse conosco?

Que ninguém, que seja cristão brasileiro, seja hipócrita em dizer que se a Folha de São Paulo publicasse uma charge como essa da postagem, todos ficariam em silêncio, pensando: É apenas liberdade de expressão.

Em menos de uma hora todos os órgãos de imprensa do Brasil já teriam divulgado a gafe em seus sites e os posts em redes sociais iriam passar dos milhões de likes e milhares de shares. Os católicos mais extremos iriam se reunir e apedrejarem o prédio da redação da Folha, Renato Rezende iria até enlouquecer de tanto que iria meter o pau e mandar cortar para ele, Ratinho iria quebrar a câmera de seu programa tamanha sua fúria e Geraldo Luís atrasaria seu programa em oito horas de tanto que iria sensacionalizar o assunto e massacrar com o anão.

A única diferença é que no Brasil, a cultura perpetuamente imposta desde o nascimento de seus habitantes exclui completamente a questão de terrorismo ou suicídio em prol de uma divindade. Isso para o brasileiro é um completo absurdo, porém, apenas é assim porque foram ensinados a serem assim, segundo a base cristã do país.

Do lado de lá a história é outra! Desde pequenos, uma parte desses aprendem a questão do terror e crescem pensando que aquilo é o mais correto a se fazer.

Não se cutuca a onça com vara curta. – Já diziam os avós. – Uma charge desrespeitosa como a desse post não ia fazer os cristãos metralharem os profissionais da Folha, simplesmente porque cristãos e brasileiros nunca tiveram esse costume. Porém, eles mexeram com Radicais, ofenderam pessoas doentes, agredidas psicologicamente desde as suas infâncias. Eles praticamente pediram a briga! E os radicais não foram ensinados a dialogar ou jogar na mesma moeda; foram ensinados a matar. Diferente das canetas do Charlie, eles têm armas e granadas. É isso que eles conhecem, é isso que eles usam.

Eu digo “Sim” a liberdade de expressão! Mas digo e sempre direi “Não” ao desrespeito.

Temos o dever de respeitar a todos, desde que todos nos respeitem.

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