terça-feira, 26 de agosto de 2014

372 - O tango dos palhaços (Jornal em dia - Adrian Mcoy)

Será que a bondade reside apenas na ignorância, ou um toque de inteligência corrompe todo um ser? Será que não somos corruptos porque somos verdadeiramente bons ou simplesmente por não termos como corromper alguma coisa relevante? Diz o cidadão:

– Veja aquele ali! Roubou mais de dez milhões da cidade! Sujo, ladrão!

Mas será que se diante dele virem os mesmos dez milhões ele ficará quieto, salivando os sonhos de uma vida fantástica? Em meio a um mundo tão cruel, portadores de um corpo frágil e mortal, cercado de ratos e víboras, ele não deveria se sair bem já que tem a chance? Será mesmo que devemos julgar um erro se estamos vivendo em um mundo onde tudo está errado?

Políticos apoiam outros em troca de dinheiro. Não existe a ladainha de admiração, isso ou aquilo; o negócio é ganhar dinheiro. Políticos só são políticos pelo mesmo motivo, dinheiro! E para subirem fazem de tudo, atropelam quem for, se unem a quem puderem, abandonam os que mais apoiaram, e seguem cegos e surdos, como zumbis enlouquecidos. Claro, há exceções! Muito poucas.

Estranho! Já não provamos da laranja Lima? Não curtimos um Tango de bolsas elegantes? E não estamos sorrindo a felicidade diante das estrelas vermelhas que hoje infestam o nosso céu? Estranho! Onde está o bom político? Parece que ele não mais caminha entre nós. Hoje só resta o seu nome estampado na tribuna da câmara municipal. Os bons parecem que morrem. Um o carrapato pega, outro o avião cai, outro adoce e se vai, e outro toma um tiro que nunca descobririam de onde veio. E o que adianta perguntar se foi acaso ou planejado? O Tiririca é deputado!

Grande é o circo em que vivemos! E o palhaço? Creia... o palhaço é você!

O tango dos palhaços é a dança que dançamos. O rango da corrupção está sobre nossas mesas. O candango que lutou pela democracia hoje vive pelas ruas chorando suas revoltas por uma política apodrecida. Os bons? Sim, eles existem! Estão por ai, alguns poucos, quebrando a cabeça para driblarem os milhões de impedimentos e problemas que impedem o bem. Além do problema pessoal, onde o ser humano em si pode se corromper pelo poder obtido, existe o problema partidário. A democracia está rachada em diversos grupos onde, cada vez mais, um quer devorar o outro, pelo que um candidato, ainda que sendo bom, passa a exercer um papel fraco e omisso em sua gestão pública por estar amarrado aos interesses de seus “superiores”.

*Guerra apocalíptica leviana! Estamos unidos tentando exercer as menores obrigações.

Em quem votaremos em uma cidade onde quem realmente manda são “aqueles” que ninguém vê? Em uma cidade onde a Santa do Transporte se sobrepõe a prefeitura e dita seus próprios benefícios? Onde monumentos históricos e naturais seguem morrendo e apodrecendo e nada se faz?

As lágrimas caem. Elas se vão enquanto dançamos juntos o Tango dos Palhaços. Já não aguento mais dançar. Já troquei de pares centenas de vezes; conheço todos neste salão. As vezes trocam o maestro, mas a música é sempre a mesma; uma melodia corrupta e desafinada. E dançamos, e dançamos, e dançamos! Fechamos os olhos aguardando nossos sonhos de cidade. Chorando, os dançarinos aguardam a poesia voltar ao nosso nome, mas os porcos continuam morrendo, dando glórias a nossa linguiça, nosso atual decepcionante apelido. Linguiça: a junção banal dos restos mortais de animas mortos. É disso mesmo que merecemos ser chamados?

O tango segue. Talvez a música mude. Talvez a nos salvar se levante o Cristo Bragantino, embora Jesus já tenha felizmente sumido para honra e glória, amém! Talvez os que já estão passem a brilhar, ou talvez nós é que devemos ser o brilho já que o poder... está em nossas mãos! O poder está no seu voto!

Talvez.



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