domingo, 17 de agosto de 2014

371 - Brilho eterno de uma Bragança sem lembranças

Onde foi que paramos?

Dentre a multidão da rua do comércio não mais se ouve aquela simpática senhora oferecendo seu produto em tom único: “Queeer Yakuuult”? – Chico Barbudo cessou suas atividades; até seu casarão foi demolido. O majestoso seminário Santo Agostinho, local puro e sagrado, hoje é simplesmente a prefeitura! O onipotente Teatro São Luiz, que já se transformou em muitos assuntos, hoje segue agonizando as lágrimas de um esquecimento. Ao seu lado, jovens sopram fumaças de um baseado, a qual parece colocar toda a cidade em profunda transe celestial. O praticamente santo Padre Aldo se foi! O homem que, sem ter quase nada, fundou um complexo admirável, além de outras maravilhas. Ele se foi e com ele a força, infelizmente, fora juntamente.

Hoje as coisas parecem que vão, mas não vão! Algo vai acontecer, mas não acontece! E assim os anos vão passando; a politica ignora, e o povo esquece.

O Clube de Regatas agora tem de tudo, só faltam as Regatas! ...? Para onde foram as supostas pulgas do Cinema São Luis? Aliás, para onde foram todos os quatro cinemas? Pra onde foram as águas do Lago do Taboão? Será que partiram por entre as lágrimas de saudades dos nossos veteranos? E as antigas alegrias da mocidade no bar Copacabana, a juventude simples? Sempre olhando de longe, lá na frente, os mais endinheirados desfilando suas vidas no Clube Literário. O amigo vereador Marcus Valle estava dentre estes e hoje se dedica a contar suas centenas de cômicas histórias em rede social. Não! Nada é mais como antes.

Eu, jovem, que não vi muitas destas coisas, queria muito poder pegar um trem lá na antiga estação e seguir para longe por entre a extinta estrada de ferro. Durante a viagem eu escreveria sobre as belezas de minha cidade e talvez fizesse poemas de minhas paqueras no Copacabana. Mas não tenho belezas, não tenho o Copacabana, e muito menos um trem! O que eu tenho são fantasmas; brilhos de lembranças que não tive.

Quero sair do cinema sábado à noite! Ao meu lado uma bela moça de saia comportada. Nós beberemos juntos ali no Copacabana; cantaremos os poemas da Cidade Poesia. Viajaremos de trem; um abraço na estação! Sim! Este foram os anos em que deixei meu coração.

Fomos destruídos por uma ilusão de evolução; o retrocesso da linguiça!

Resta hoje a angustia nos olhos de um senhor; o falecer da cultura à fome das crianças. Resta o Brilho eterno de uma Bragança sem lembranças.

Onde foi que paramos?


*Texto publicado no JORNAL EM DIA.

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