segunda-feira, 17 de março de 2014

365 - A máscara de Adrian


Eu quis tanto fazer barulho no mistério desta existência que acabei me tornando um dos mais calados. Eu tentei resolver bizarras equações filosóficas astronômicas que fizeram a ponta do meu lápis curioso quebrar e assim me conduzir agarrado ao pouco que entendo. Eu tentei brilhar na menina juventude aos olhos da irmandade dos colegas, mas vi que além de machucar-me por tentar ser algo que não sou, isso não me levou a lugar algum.

Quem dera eu tivesse me conformado com aquilo que realmente era quando ainda na infância: Um garoto apático, tímido, e com a cabeça já enlouquecida de tantas ideias. Isolado de todos em um mundo de videogames e uma ou outra amizade. – Porque eu tive de apaixonar-me pela evidência? Porque me permiti vestir uma máscara de rebeldia e sensualidade, abandonando a pureza que no princípio me havia?  Não sei! Mas sinto que isso curvou o curso de minha vida e atrasou-me drasticamente em muitas coisas.

Mas os punhos da realidade enviaram-me revelador soco no meio da boca, lançando-me nu no deserto da existência, onde os berros do meu choro cruzaram ao oriente, mas ainda assim nem minha sombra pareceu ouvir. O soco quebrou a máscara! Ela despedaçou sobre meu rosto fazendo-me então perceber que em mim havia uma. E eu a tirei de minha face... Mas não consegui jogá-la fora.

É como se eu não pudesse! Minha tão querida e amaldiçoada máscara que tanto lustrei no construir da juventude. Como poderia eu simplesmente abandoná-la? O que irá me salvar nos momentos em que o eu verdadeiro for incapaz de agir? Como eu serei valente se sem ela tenho medo? Como serei sedutor se sem ela sou tímido? Como vou me destacar se sem ela sou mais um?

É uma máscara; apenas uma máscara! Eu já a percebi! Ela não está mais presa, mas estranhamente não sai de minhas mãos. É como o escudo que eu logo visto quando preciso atacar. Ela é a minha força, minha companheira, mas também minha perdição.

Eu preciso destruí-la! 

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