sábado, 5 de maio de 2012

332 - Nós não estávamos lá!


A perda!
De repente vimos que perdemos algo; de repente... Alguém se foi! A vida acaba! A morte é impiedosa. E elas se vão... Para nunca mais voltar. As palavras que não falamos, nunca mais poderão ser ditas. Os gestos que não fizemos nunca mais poderão ser feitos. O choro que ela chorou será apenas uma lembrança; choro que talvez desprezamos e nem sequer nos esforçamos para consolar. Ela pode ter chorado e nós não estávamos lá para abraçá-la!
Não! Nós não estávamos lá.

Quantas vezes passamos e nem sequer cumprimentamos devido a um orgulho amplamente estúpido do âmago de nossa essência? Quantas vezes ofendemos sem ter a obvia noção de que, talvez, no dia seguinte a pessoa não esteja mais neste mundo? Porque somos tão frios? Porque criamos inimizades? Porque vivemos como se fossemos eternos, achando assim que todos também o são?

Tudo é passageiro! Tudo se vai!
Tudo se desfará como areia nas mãos; que cai e vai caindo... E não para! Continua assim caindo... E se acaba! Somos programados para morrer, portando cada um de nós um cronometro invisível, como bombas relógios que por anos fazem barulho para num momento simplesmente explodirem e nunca mais tornarem a ser.

Não! Nós não estávamos lá!
Não estávamos lá nos dias de sofrimento daquele que se foi... Do que adianta chorar agora? Mas sim! Nós estávamos lá no dia em que juntaram-se os mancebos e juntamente ofendemos este moribundo! O que faremos, pois, agora?

Um ser humano, uma pessoa;
pessoa que chorou, pessoa que gritou,
pessoa que clamou aos céus um socorro; mas nós...
Nós não estávamos lá!


*Dedicado a amiga Claudia Machado (28/12/1961 - 04/05/2012)

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