terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

279 - As trevas de Pandora

Capítulo XXVI do lívro:
O DOCE DAS SOMBRAS - Adrian Mcoy
(baseado na historial real do acidente que o autor sofreu em 2007)




O sono deveria estar me dominando, mas eu não estava me aguentando com alguma coisa que havia em mim! Não conseguia ficar parado! Eu estava agora, logo depois que entrei em minha residência após mais tenebrosa madrugada de minha vida, tomando um relaxante banho de águas quentes enquanto praticamente ia dançando feito um retardado, pois minha real vontade era sair correndo devido a uma sobrenatural inquietação! Em meio a Macarena, no vai e vem de braços, notei algo que verdadeiramente quase berrei tamanho o meu assombro: A mesma cicatriz que Ashlley possuía no braço esquerdo agora estava no meu!


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As coisas só se estabilizaram em mim quando tomei o meu café na mesa ainda em minha residência. - Isto devido a uma propriedade mística da cafeína a qual reage no espirito, fazendo do pó de café um item utilizado em vários feitiços. - Peguei minhas coisas, junto a uma carta que já a dias havia escrito a nada mais nada menos do que Jesus Cristo, e parti para minha igreja como uma criança que estava indo ao Castelo de Hogwarts na onde, porém, já sabendo que Hagrid infelizmente não estaria lá a guiar seus passos.

Fora meu pai quem me levou, mas nisto pedi que me deixasse em casa de Johnny devido a questão da carta; feito isto, despedi-me dele e este se foi. Entrei em casa de meu amigo e logo fui pedindo para que este orasse por mim, pois aquela sensação estranha permanecia. Não revelei, porém, o que de fato estava acontecendo, apenas disse pra que ele orasse. - A saber tal sensação não era nem boa, nem ruim, só me era estranha porque era algo novo, sendo que tal não pararia... Nunca mais! Não obstante levamos minha carta para Jesus para finalmente a queimarmos em seu quintal e sua cinzas supostamente viajassem para o além.

A irmã Sílvia chegou em casa de Johnny tempos depois de mim e assim partimos juntos a nossa igreja, não muito longe dali. Assim que nos achegamos o mesmo clima dos acampamentos eclesiásticos me invadiram! Vários carros parados rentes a calçada com muitos levando coisas de um lado para o outro. Entramos na congregação onde tomamos mais um café quando surgiu-me Jennifer contando-me a novidade gospel do momento: Diandra Borges havia saído da igreja!

Foi ai que comecei a pensar que iria enlouquecer! Além da madrugada astrofísica que havia a pouco tido, as dores de Melissa despertadas em mim, a humilhação frente as princesas das trevas, agora tinha de carregar ainda mais esse sentimento de culpa, já que em minha neurose eu fora o grande responsável, pois havia abandonado a pobre garota cessando assim meu louco propósito de um ano.


Acheguei-me ao pastor de nossa igreja e finalmente iria revelar-lhe a identidade Scaglione juntamente a semana das trevas e a madrugada infernal por mais que ele me achasse louco à partir de então, mas este se encontrava muito ocupado e disse que quando chegássemos na referente cidade conversaríamos tranquilamente em bancos da igreja sede.

Pensando que, logicamente, uma van ou algo do tipo iria à igreja a nos levar, dei com os burros n’água! Não haveria van, nem ônibus, caminhão, muito menos avião a nos levar! Todos deveriam se organizar em carros de outrem e rápido, pois já estava tarde!

Cada um foi para um lado numa tremenda palhaçada enquanto eu permanecia em sossegos já que a filha do pastor havia me convidado a ir com ela no carro deste. Todavia, mais uma vez as coisas me foram estranhas! Assim que estávamos para partir, o dono do fusca, na onde agora estava Sílvia no passageiro, foi chamado pelo pastor a conversar alguma coisa. Após esta este dono pareceu ter dito a Sílvia que iria no carro do pastor, pois tinham de resolver algumas coisas, e assim fui indiretamente descartado daquela carona sendo forçado a ir no fusca deste homem onde assim Sílvia iria, pois, dirigindo.


Partimos então no fusca! Sílvia dirigindo, eu ao seu lado no passageiro, no banco traseiro ao canto esquerdo Suelen, no meio Britney, e no canto direito, atrás de mim, Pandora. Suelen parecia ter por volta dos trinta anos, uma bonita mulher, mas que eu nunca havia visto, assim como Britney, a qual eu ainda saberia ter seus dezessete. Esta tinha uma beleza e nome interessantes, tanto que meses depois eu iniciaria mais uma “corte” a fim de namorá-la, mas que felizmente não contaria com o propósito desumano de um ano.

Todos seguiram suas viagens segundo a, em minha opinião, total falta de responsabilidade da liderança da igreja pelo fato de termos que nos enfiarmos em carros de terceiros. Antes de sairmos da cidade, paramos num posto a abastecer. Nisto Sílvia me apresentou as duas que eu ainda não conhecia quando assim olhei para Pandora e quase sai do carro esperneando! Em seus olhos não haviam a parte branca, estavam totalmente negros! E ninguém estava vendo aquilo... Apenas eu! Sílvia chamou minha atenção pois eu havia congelado. Já sabendo que aquilo era mais uma das coisas que só eu podia ver, sorri e me virei a sentar-me corretamente.

A partir de então eu seguiria viagem mudo e aflito como se sabendo que algo terrível iria acontecer! Não me atrevi a olhar para trás nem mais uma vez! Entramos na estrada com as garotas lá atrás acompanhando as músicas gospel que tocavam. Mas foi só depois de uma hora de viagem, assim que estávamos entrando na última cidade antes do nosso destino, que me aconteceu uma das coisas mais marcantes de toda a minha vida:

A música que tocava agora chamava-se “Última chance - Ministério Ipiranga”. As garotas seguiam cantando atrás de mim quando de repente... Na estrada que estávamos, um dos carros que vinham na mão oposta teve a jurássica ideia de querer ultrapassar o carro em sua frente e para isso entrou em nossa mão! Sílvia deu um berro e tirou o carro para o acostamento, porém, o indivíduo fez o mesmo! Resultado... Os carros bateram de frente!

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Eu apaguei!
As ferragens esmagaram as pernas de Sílvia, Britney fora arremessada ao painel abrindo assim a testa, Pandora quebrou o dedo em meu banco, e Suelen teve apenas ferimentos leves; já eu segui desacordado como se estivesse morto. Coisa esta que certamente aconteceria se não fosse a louvável providência de Deus ao já manifestar o milagre que tão logo se seguiu: Do carro que estava atrás de nós saiu um homem as pressas e este já foi verificando minha pessoa e assim notou que eu estava arcado e cabisbaixo levantando assim a  minha cabeça e tirando-me daquele carro. A saber, se alguém não tivesse me tirado da posição em que fiquei eu simplesmente teria morrido asfixiado!

Meu problema foi de longe o mais serio de todos! Devido ao impacto meu cérebro se abalou! Quando acordei no hospital daquela cidade fiquei terrivelmente desesperado, confuso, nervoso, e desnorteado! Precisaria assim ser induzido ao coma.

Tão logo a igreja inteira ficou sabendo do ocorrido junto a todos os da convenção, assim como, logicamente, minha família. Meu pai veio desesperado, minha mãe quase morreu! Ali começaria o mais tenso momento de toda a vida destes até então. Alguns doutores diriam que se acaso eu acordasse eu não mais enxergaria, outros que eu não ouviria ou não falasse, ou talvez ficasse um tanto abobado. Minha vida estava por um fio! Não obstante, fui realmente induzido ao coma e assim que perdi todos os sentidos de meu corpo... Seria o início de uma extraordinária e inacreditável viagem!




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