domingo, 30 de outubro de 2011

230 - Inócuos sentimentos de uma vida sem prazeres

*Isabel, um das sete princesas da trevas, segue suas palavras:

- Como conhecerias as estrelas se elas não brilhassem? 
Como conhecerias o dia se não houvesse o sol? 

- ..................? – não soube o que responder. 

- De semelhante maneira: Como conhecerias o mal se não houvesse um deus? 

Tornei a ficar quieto, pensando naquilo por alguns segundos até ela continuar:

- Ora, meu amado! Porque o mal deve ser ruim? Porque o terror deve ser temido? Porque o pecado deve ser condenável? 

- Porque Deus assim estabeleceu! 

- Porque Deus citou! Isso mesmo! O Grande Ditador das eras! 

- Espera um pouco! Porque essas rosas sempre te acompanham? 

- Porque eu sou as vermelhas rosas do mundo! A mais bela das flores dentre a natureza, a fragrância envolvente, o charme encantador! Porque sou aquela que se você pegar sem cuidado, meus espinhos lhe ferirão! Sou aquela com quem você não pode brincar, mas a todos pode presentear.

Seguimos alguns segundos em silêncio. Quando ela prosseguiu já estávamos entrando no campus central:

- O Grande Ditador das eras! Aquele que lhe deu uma consciência aberta, não condicionada a parâmetro algum, mas que mesmo assim ditou uma filosofia dogmática de abstinência comportamental, findando-a como certo e absoluto, de maneira que, se ao contrariar a tal, Ele te rejeita e te abandona para todo o sempre! Veja só! Que Deus maravilhoso!

Ela pausou, mas não havia como lhe dizer nada, além do fato da maneira com que a mesma me falava... Suas palavras suavam na timbre de uma experiência milenar, e isto era uma coisa impressionantemente única!

- Porque isso está acontecendo? Porque as coisas estão assim? Como?

- Adrian! – deu-me um sorriso – Há coisas que você não pode saber! Há coisas que você até não deve de entender, pois tais conhecimentos defraudariam vosso prisma subjetivo e estrutural de vida, de maneira que passaria a querer a todo momento a morte a fim de se livrar de seu corpo humano e entregar-se as delícias da vida espiritual. Mas a razão de tudo isso é muito obvia, não? Desculpe! – acariciou meu rosto – Minha frequência de raciocínio está anos luz da tua e por isso as vezes acabo me ausentando da linhagem humana de entendimento. Mas prossigamos! Não deves saber como as coisas estão assim, mas eis que assim estão a fim de lhe inserir o teor fidedigno dos símbolos da própria essência que existe em ti! Não é algo que entendera por completo agora, mas os anos seguintes lhe trarão o entendimento.

Começou assim a caminhar de um lado para o outro por entre o campus central dentre as neblinas. Logo retomou a palavra:

- Partamos para o obvio principio da relatividade! Se existe um “sim”, existe um “não”! Se existe a luz, existem as trevas! Se existe o bem, existe o mal! Em tudo o que se é criado, relevando a lógica dos fundamentos, existirá o outro lado, o qual é simplesmente o contrário de tal. Julgue tal prisma de análise e uma parte desconhecida em ti mesmo perceberá a veracidade do artigo, já que não podes compreender o fluxo supremo das diretrizes da razão existencial. Estou sendo muito complexa? Não se preocupe, pois eis que nunca se esqueceras de uma só palavra deste tempos segundo o toque divino em vossas memórias, e por isso, em anos futuros, lembrar-se-á de tudo e assim refletira sobre, formulando assim tuas eruditas opiniões. Agora, pois, em termos de relativismo, fundamentou-se o “livre arbítrio”, o qual livra a espécie humana de serem como programados assim como robôs sem nexo nenhum de existência; a saber, também como animais, controlados por seus instintos, os quais também podem ser encarados como um software de sistema com uma sequência de dados já preestabelecidas dinamizada por um conjunto de variáveis. Enfim! Instaurou-se o livre arbítrio aos homens, logo, estes tem a liberdade de opinarem quanto ao bem ou quanto ao mal. Logo, num ponto de vista inerente a existência, não existe aquilo que é definitivamente certo nem aquilo que é definitivamente errado! Tais coisas só expressam significantes a partir da concordância de um ser. Aquilo que é errado e horrível para você, para mim poder ser correto e maravilhoso; aquilo que para mim é doce para você pode ser salgado! Tu preferes o azul e eu o branco! Como poderei eu apenas confabular a ideia de condenar-te para todo o sempre apenas por essa discordância? Seguindo a sentença: Como poderei ser condenada se você ama o amor, mas eu o ódio?

Compreendi na hora aonde a mesma queria chegar! Estava atacando a Deus diretamente, usando de simbolismos a fim de evitar atritos.

- Mas Deus é Deus! Se Ele quiser assim será! Dele são todas as coisas! 

- Exatamente! Mas Deus é Deus porque? 

- ..................? – não soube o que dizer. 

- Porque Ele criou todas as coisas? 

- Sim! Não? 

- Não! Pensai no complexo existencial! No principio do principio havia o “nada”, onde nem é certo dizer “havia”, pois nada existia! Logicamente, de uma maneira a qual ainda não podes compreender, nasceu assim uma molécula e esta multiplicou-se originando algo chamado “universo”; deste universo, formações e junções milenares de substâncias e ondas acabaram por originar um complexo criativo autoconsciente o qual, para a compressão humana, denomina-se “Deus”! Este “Deus” estabeleceu suas criações, mas resolveu fundamentar algo chamado “vida”, a qual concretiza-se devido a uma doação microscópica dele mesmo na onde assim, a fim de não ser gerenciador de um mega-sistema ausente de variáveis, estabeleceu o livre-arbítrio a humanidade, podendo ela assim escolher o que bem desejar. Mas como então pode-se aceitar que se algum ser opinar, segundo seus desejos, algo contrário a “vontade” Dele, este mesmo ser tem de então ser condenando ao sofrimento eterno para todo o sempre? Não parece-te tal um conto de fadas provindo de punhos ligeiramente loucos?

............................................................!

E mais uma vez eu ia me sentindo um imbecil ao não saber o que dizer. Ela, não se importando, prosseguiu:

- Adrian! Tu es um romântico! Tua maior paixão são as mulheres! O prazer carnal lhe fascina e a vaidade já vem lhe dominando desde de tua meninice. As coisas que agora lhe aconteceram representaram-te tais fatores indiretamente. Não viste agora a pouco em Dimensão Hexen uma inocente criança? E o que fizestes? Atirou em sua cabeça! Manifestou a pura ira! Isso é o mesmo que fazes em tua vida, meu amado! Suas palavras provindas de alto intelecto são aptas a seduzir e invadir a alma de qualquer garota, sendo assim como tiros que penetram em suas mentes, como se as matando, fazendo-as se prostrarem ante a ti. Pensas que não és um pecador simplesmente por não cometer os óbvios pecados, os quais ferem imagens, a ti mesmo, ou ao próprio Deus? Não! Teu pecado é ferir... Corações! És um defraudador! Ages loucamente sem nunca relevar o prisma visionário que a outra pessoa vem portando! Isso é egoísmo! Só pensas em ti meu caro! Apenas imagina que se preocupa com outrem somente para apascentar vossa consciência do terror da ausência divina, mas na verdade tu és um escravo das delícias sexuais, ao passo de que, ao se imaginar em um mundo sem mulheres, logo não verias sentido em nada! Pense e diga se acaso estou errada?

Triste e realmente ela estava com toda a razão.

- Mas eu sou um menino! Eu vou crescer! Vou amadurecer... - Silêncio Adrian! Silêncio! Guarde vossas palavras sem entendimento para os mortais que com elas se fascinam. Porventura nunca percebeste que este vosso desejo desenfreado compõe a estrutura de teu emocional? Meu amado! Isto é fruto das revoltas de tua infância! Os símbolos nesta fase absorvidos acabam por esculpir o prisma subjetivo dos conceitos existências de cada ser! Adrian, sempre serás assim! O sábio Salomão até dissera: Aquilo que é torto não se pode endireitar! Esta é uma correnteza em tua vida! Não podes ir contra tal! Podes tentar, mas isso lhe será doloroso e terrível! Coisas que você já sabe; não adianta negar! Tua vida seria banhada de lágrimas se tivesses de conviver sem o doce dos prazeres... O doce das sombras!


*Fragmento do livro "O Doce das Sombras" - Adrian Mcoy

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