sábado, 29 de outubro de 2011

229 - Filhos adotivos de uma luz obsoleta

- Não! Teu Deus, não! Ele é Deus dos judeus! Os judeus é que são o seu povo! Você conhece a Bíblia, Adrian! Você sabe disso! Lembra da palavra: Aba pai, o Espírito de adoção? Pois bem! Vocês cristão são o povinho adquirido! Vocês nem são filhos legítimos! São adotados! São as migalhas da enorme e dourada mesa celestial! – e me abraçou, encarando-me – Os judeus negaram a Cristo, meu querido! Porque será? Porque será que o tão seleto e querido povo do Deus Todo Poderoso negou aquele que, na verdade, supostamente seria Ele mesmo? – fez-me um expressão interrogativa ao levantar uma só sobrancelha, fulminando-me no brilhar de seus fabulosos olhos amarelos.

- O que? – fiz-me de desentendido, por não encontrar uma pronta resposta.

- Vem! Me sinta! – e levou minhas mãos aos seus fartos seios – Agora imagine meu amado! Imagine você tomando todo o meu corpo sob a escuridão de uma noite estrelada, exalando o cio de minhas entranhas dentre as campinas de nossos sonhos! – virou-se de costas para mim, esfregando suavemente as nuas nádegas em minhas intimidades – Sinta, meu amado! Sinta! – falava numa voz ardente de prazeres, levando o rosto para o lado do meu e uma mãos sobre meus cabelos – Teu corpo está queimando o despertar do brilho de um desejo insano! Julgue o que seria melhor do que isso! Como imaginas uma eternidade sem o encanto das malicias? Sem a magia dos prazeres? Sem o doce das sombras? – passou a mão para por debaixo de minha calça, tocando-me as intimidades – Você nem ao menos quer imaginar! – virou-se novamente a mim – Não há brilho em uma vida sem trevas! É por isso que Lúcifer foi poupado em sua criação! Teu suposto Deus sabia que ele criaria tal coisa e esta mesma coisa findaria um equilíbrio na singular esfera existencial a qual Ele mesmo se encontra aprisionado. Venha para o lado negro da força!


Trecho do meu livro: O DOCE DAS SOMBRAS

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