sexta-feira, 6 de maio de 2011

143 - Carta final de Ricardo Bredariol (O Brilho de Rebecca)



Menina Rebecca; futura estrela que já vem brilhando. Poucos foram os sustos iguais aos que eu tomei a ficar sabendo de seu recente estado de coma! Depois de conversar com seu pastor naquele dia, muitas coisas mudaram em meus pensamentos. Algumas não muito, outras, drasticamente! Digamos que chegamos num acordo. Por esta razão precisei muito falar-lhe, mas não tive chances devido ao seu já antigo estado. Não descarto, pois, o que dantes lhe preguei, todavia, acrescento e corrijo algumas coisas, as quais, se não corrigidas, poderiam causar-lhe algum mal.
Eis o que te digo:

Lembra-se de João e Bernardo? Os pecadores que eu justificava mediante aos seus próprios sofrimentos de vida? Errado estava eu! De maneira alguma podemos justificar alguém simplesmente por julgar as sombras de seu passado! Dando razão assim a frase: A sociedade prepara o crime; o criminoso o comete! Agora lhe digo que tal frase está errada! O certo é: A sociedade prepara o crime. O idiota o comete!

Não podemos justificar uma atitude perversa devido ao passado de tal, pois dessa maneira, acabaremos justificando o próprio mal em si, dizendo: - Eis que ele roubou porque na infância não tinha nada! - Eis que ele adulterou porque já achava sua mulher feia! - Eis que ele matou porque tal pessoa o desprezava! - Percebe? Não podemos pagar o mal com o mal! A própria bíblia diz que o mal se paga com o bem (desconfiando eu, agora, que este trecho se refere secretamente a este assunto).

Milhares são as pessoas que sofreram, mas mesmo assim, hoje são boas e honestas. Porque então algumas o são e outras não? Eis a ai o Complexo da Maça!
Adão e Eva tiveram liberdade! Tiveram escolha! Poderiam não comer a “maça” (sendo isto, logicamente, um símbolo e não o fruto em si) ou poderiam comê-la e violar a vontade de Deus. Claro que a irmã bem sabe o que aconteceu!
Essa é a questão! Existe a maça! Ou seja... Existe a escolha! Pessoas nos fazem sofrer de inúmeras maneiras, mas cabe a nós a escolha de odiá-las ou não! Provaremos ou não a maça? Surgiu-me uma linda prostituta! Tenho muito dinheiro e sou desimpedido! Provarei ou não a maça? Tudo vai de nossas escolhas! Elas determinam o nosso eu. 

O homem se depara por toda a sua vida com dois caminhos... Luz e trevas. Cabe sempre a ele escolher! A partir de tal análise, cai por terra a justificação de João e Bernardo. Estes ficaram como são porque escolheram ser assim! Apesar de tudo, sempre tiveram escolhas, porém, fizeram as piores, e devem, pois, pagar por isso.
Quanto a questão da liberdade não retiro o que disse, mas acrescento apenas... Cuidado! Nem todos estão de fato preparados para viverem a liberdade a qual Cristo nos proporcionou. São imaturos, crianças, desprecavidos, e inconstantes! Estes não entendem (pois devido sua debilidades nem gosto têm pelos estudos) e também não podem entender a real liberdade. Fariam como a criança ao achar petróleo no deserto: Ao invés de registrar o posto para depois se beneficiar do local, prefere em sua ignorância ir se lambuzar no liquido preto, podendo perder assim, a própria vida.

A liberdade é uma caríssima taça de cristal. Ou você a usa com cuidado... Ou grande será o prejuízo. Pegue como exemplo nosso querido amigo Leandro! Ao ganhar a noção de tal, não soube o que fazer com a mesma, e por isso, logo se estrepou, embarrigando a menina Marcelly. No entanto, o mesmo me falou que muito a ama, e eu, de minha parte, verifiquei que isto é recíproco. Logo, torna-se a maldição em benção.
Que tudo seja feito com ordem e moderação! Todo cuidado sempre é pouco.
Vi também que muitos fatores aqueles que dantes eu chamava de “erros” da igreja são praticamente “necessários”, e desta forma, perde-se o sentido chamá-los de “erros”. Vejamos:
A questão do dízimo, a qual eu sempre batia na tecla ser coisa de Judeus; sendo assim, ultrapassada, de fato assim o é! Porém, pense você:

Indo você a uma igreja uma vez por semana, quanto você dará de oferta? A maioria dos sensatos como você daria entre R$10,00 a R$20,00; podendo chegar às vezes a R$50,00. No entanto, é neste exato ponto que minha antiga visão tropeçava!
Não podemos ver as coisas com os nossos olhos! Temos que ver com os olhos da realidade. Saia de si mesma e imagine a grande massa! Quanto seria a média ofertada semanalmente considerando todos os tipos de pessoas, se tal oferta não tivesse um valor estipulado? Não é difícil se imaginar! Talvez uma média de R$5,00 por pessoa, chutando alto. Contabilize então, tomando, por exemplo, a sua igreja (ou mais ou menos sua, pois desconheço sua atual posição religiosa). Creio que esta deva ter uns duzentos membros. Destes duzentos devemos separar crianças, jovens, mulheres, e homens. Crianças não ofertam (claro), jovens... Alguns poucos; mulheres... Algumas, sendo assim, a maioria, homens. Logo, ao considerarmos isso, vemos que bem menos do que a metade é ofertante. Vamos chutar assim, para alto, oitenta (em relação a sua igreja)! Vamos relevar também a variável iminente que se refere ao fato de não ser em todas as semanas que um indivíduo oferta; sendo o costume, uma vez por mês. Logo, devemos, por estatística, mas também de forma mínima, subtrair 50% deste valor, ficando assim 40 ofertantes ativos por semana. Se quarenta ofertarem a média de R$5,00, teremos nesta semana: R$200,00! Sendo então, R$800,00 por mês!
É isto o suficiente? Veja as despesas!

O maldito aluguel do salão, que na maioria das vezes é de médio porte, assim como a sua, devido ao número de membros: R$1.500,00 (chutando bem baixo). Energia, água, e telefone: R$400,00. Custo com caridade: R$300,00. Manutenção: R$200,00.
Veja só! O total (R$2.400,00) é “apenas” o triplo do que a igreja lucrou! Estamos, pois, felizes? De maneira alguma!

Vamos ainda a um olhar de realidade, e adentremo-nos a isso:
E o líder da igreja? Vive do que? De vento ungido? E este não tem mulher? Não tem filhos? E o conforto e a educação destes? O próprio apóstolo Paulo (o auge da igreja primitiva em minha opinião) diz na Bíblia, em 1°Corintios 9;14: Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. Logo, e logicamente, este líder deve viver de seu próprio ofício, pois eis que tal coisa lhe consome todo o tempo, afinal, ele é responsável pela vida espiritual de toda a sua igreja.
Devemos também reconsiderar a questão da caridade, pois a mesma pode variar muito em casos urgentes podendo ir de R$200,00 para R$500,00 em alguns meses. Sem contar ainda com a questão do evangelismo (obra fundamental segundo o evangelho), os eventos, e as possíveis aquisições; somando-se tudo: R$500,00 (no mínimo). Considerando as despesas do pastor e sua família, consideremos: R$1.000,00. Logo, as despesas aumentaram: R$1.800,00!
Mas como pagaremos? Antes da última verificação o dinheiro já havia acabado!

Verificamos aqui nesta estatística voltada ao mínimo que a despesa de uma congregação de médio porte é de R$4.200,00. Logo, para se sustentar isso, de acordo com este exemplo de sua igreja, seriam necessários destes quarenta ofertantes, uma oferta não de R$5,00, mas de R$26,25; isso falando em questão semanal! A oferta mensal necessária subiria de R$20,00 para R$105,00! Sendo assim, verifiquemos a média salarial dos integrantes de uma igreja; certamente: R$800,00. Qual então a média do dízimo? R$80, de fato.
Mas como pode? Verificamos que a “oferta” mensal necessária é de R$105,00! Estamos R$25,00 abaixo! Compreende que até mesmo usando uma taxa fixa de oferta as coisas ficam difíceis? Por ser uma taxa fixa de 10%, logicamente, o dinheiro arrecadado é sempre maior. No entanto, vimos que mesmo assim, a situação é apertada! Imagine, pois, se não houvesse um valor estipulado!

A maioria das pessoas infelizmente é ignorante. Como mantê-los numa sociedade se não estipularmos regras? É nestes complexos que se baseiam a questão que dantes eu chamava “ultrapassada”. Hoje, porém, chamo de “necessária”.
Quanto ao mais irmã, tudo de baseia numa questão de controle.
Lembre-se que a doutrina deve alcançar a todos e não apenas a você! Por isso a verdade necessita de suas diversas facetas.
Meus irmãos Robson e Tomás a saúdam, admirando atônitos a sua bela voz. Saúda-te também a já conhecida Angelina, querendo esta te ver muito em breve, e conhecer assim uma das mais belas vozes que ela já ouvira. Um grande abraço aos Rezendes e sua família. Procure tornar esta epístola conhecida de todos, ainda mais daqueles que viram a minha última. Que este nosso incrível e incompreensível Deus a ilumine em todos os seus caminhos, em nome de Jesus Cristo...
Amém!


*Fragmento do Cap.27 do livro "O Brilho de Rebecca" - Adrian Mcoy



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