domingo, 1 de maio de 2011

122 - Lágrimas fervorosas (A bruxa de Nevada)



“Quarta de Michelly Princeton, para...
Thomas Jackson
O amado de minha alma


Nesta noite chorarei as estrelas... As dores da tua ausência....
Michelly, dos Princetons; portadora dos segredos do desconhecido. Para o belo e sedutor mancebo, o qual misteriosamente conquistou-me sem usar de palavras, Thomas Jackson.

Eis-me aqui em mais uma noite de congelar.
Encontro-me de madrugada nas escuras masmorras do castelo, mais uma vez às escondidas, olhando destas alturas para os maravilhosos locais que me rodeiam, através de uma das grandes janelas que beiram as escadas, onde a luz do luar penetra de maneira maravilhosamente incrível. Estou com dois grandes agasalhos de pano grosso, toca, luvas, cachecol, e batom de cacau á proteger meus lábios...
Meus lábios, teus lábios!

Mais uma vez distorceram-se as estrelas sobre a imensidão, e as auroras pareceram explodir de felicidades nas profundezas do céu noturno daqui deste paraíso.
Se o fantástico brilhar destas auroras cegarem-me a visão, saiba: Serão os teus olhos que cegos ficarão. Se esta geada vir a congelar o meu corpo, saiba: Ficará o teu corpo congelado. Se a morte a mim vier, uma parte de ti juntamente morrerá; e se eu viver, então, para sempre juntos viveremos. Viverei, pois quero-te novamente; mas se meus olhos fecharem-se para este mundo, encerra-se minha vida para este tão lindo sonho. És o meu sonho! Sonho meu! Sonho em que jamais quero acordar!

Eis que aqui, nesta esplendorosa ilha onde me encontro, há uma floresta que por todos é temida! As trevas rodeiam-na; os estranhos a habitam. Para salvar a preciosa vida de um garotinho tremendamente especial, precipitei-me dentro da mesma em plena madrugada! Que terrível! O mais denso pesadelo de minha vida ali eu vivi! Entrei eu numa parte desprovida de luz durante a noite e entregue fiquei a seres horrendos, os quais mui facilmente poderiam esquartejar-me, já que eu não poderia nem ao menos, de maneira alguma, estar ali!
Para acrescentar a desgraça minha, após resgatar o mui ferido garotinho de algo que nem convém ainda falar, uma travessa armadilha havia num terreno por onde corríamos na escuridão entre aquelas muitas árvores. Os seres estranhos haviam a armado e certamente esquecido a mesma por ali.

Despencamos nisto! Era um buraco de uns três metros! Quase quebrei meu pé! O pobre menino chorou com mais aquela dor! Apavorados ficamos! Nunca esquecerei como aquele pobre garoto chorou nos meus braços! Apavorado! Horrorizado! Trêmulo! Ferido! Queimado! Sangrando!
Tive a plena certeza que depois daquele dia ele se tornaria um dos homens mais corajosos de toda a Hullafrols! Contudo, o terror foi intenso! Inúmeras foram ás vezes que tive vontade de chorar junto a ele! Mas não podia fazer tal para não colocá-lo em desespero. Porém, senti um brilho provindo de minhas memórias os quais trouxeram-me o refrigério para a angustia que ali eu sentia... Lembrei-me de ti!

Amado de minha alma! Amado meu! Não te espantes! Não se turbe o vosso coração! Eis que não posso confirmar o meu amor por ti devido a um voto que fiz no dia em que desci as águas purificadoras. Só poderei fazer tal quando vier a mim a absoluta certeza de que tu és a minha metade, e assim, poderei considerar-te finalmente o noivo de minha vida.
Dou graças ao meu Deus toda a vês que me lembro de ti!

Como um vulcão a esperança vem se ardendo em mim, pois já venho caminhando com isto, e em algumas madrugadas, assim como esta a qual lhe escrevo, ele entra em erupção, explodindo em tristes chamas lacrimejantes que queimam a saudades, fervendo-se como um mel num transbordar adocicado, o qual incendeia todo o meu corpo, já fragilizado...

Fervo-me em lágrimas por ti! Enfraqueço-me de tantas saudades!
Necessito ver-te já neste verão! Apenas mais alguns dias!
Eu conseguirei... E o nosso amor acontecerá mais uma vez!

Esta é uma palavra digna de toda aceitação, provinda de meus próprios punhos, Michelly, dos Princetons.
Fique em paz meu amado garoto!
Repouse em nossas memórias.”



*Carta de Michelly Princeton - Fragmento do Cap.20 do livro "A bruxa de Nevada" - Adrian Mcoy




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