segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

077 - BlackBulls (Prólogo - Meu primeiro livro)

Prólogo - A hora do show (1997)

-Agora é A hora do show!

A tumultuada classe da segunda série se envolvia mais uma vez em gargalhadas ao verem Petter Böhler, o jovem encrenqueiro, debochar do pequeno John Diedmann pelo mesmo não saber responder a mais uma estratosférica pergunta do professor.

- MEU DEUS! - Rutherford surpreendeu-se - Então o meu garotinho estudioso não sabe? Mas que milagre! - disse num tom engraçado, o que fez toda a classe da segunda série cair na risada.

John, o garotinho estudioso, ficara congelado diante da estupidez do professor. Ele se remoia por dentro enquanto uma vontade de tacar seu caderno naquela cabeça velha e careca dominava o seu corpo, mas por ser tão pequeno e tímido, acabou ficando calado. Cruzando os braços e se agachando até encarar o pequeno garoto frente a frente, o qual estava encolhido e olhando às vezes de queixo baixo para a lousa, Rutherford bateu ligeiramente a mão sobre a carteira, e continuou:
- O que acontece com você criança? O gato comeu a sua língua?

Sem conseguir olhar para nenhum dos lados, o pobre John apenas balançou a cabeça negativamente, e tornou a ficar imóvel, mudo, e cabisbaixo.

- Levanta daí criança! - continuou Rutherford - Venha aqui seu sabidinho!

Usando de uma impaciência incomum e totalmente desprovida de sentido, Rutherford pegou o pequeno John pelos braços e o levantou, virando o mesmo na direção de todos na sala. Assim q avistou seus colegas ele logo estremeceu de vergonha e se colocou imediatamente a olhar para o chão. Mas fora interrompido:

- Não! Sua anta! Não! - virou a cabeça do garoto com as mãos para encará-lo - Olhe para seus colegas! Olhe! Estrupício!

John teve de olhar e contemplar a multidão sorrindo de sua miséria enquanto via Petter o caçoando mais uma vez com gestos obscenos. Ele via tudo e não podia mais baixar a cabeça! Todos viram quando o doce verde de seus olhos preencheu-se de lágrimas... Ele chorou.

- Ah! Coitadinho! - continuou o professor - Está chorando minha belezinha? Heim? Porque você não fala para seus colegas como são formadas as lágrimas dentro dos olhos? Heim? - encarou aguardando resposta.

A classe agora estava em silêncio! Todos se comoveram um pouco com aquelas lágrimas, com exceção de Petter, que ainda se matava em risos.

- Eu, eu não sei! - disse John.

- Ahhh! - exclamou o professor para a classe - Ele não sabe! Vejam só! Que milagre!

Todos olhavam para o garoto e riam enquanto ele, vês ou outra, em sua visão periférica percebia a platéia em sua volta, do circo de Rutherford, onde o palhaço sempre era ele mesmo. Sentia-se novamente em seu doce coração a impiedosa dor de ser humilhado. Sentia ali, mais uma vez entre muitas, a dor de ser o alvo de chacotas, piadas, gozações; e em seguida, sentia a tortuosa impotência de ter de viver tudo aquilo e sempre, sempre ficar calado. A não ser pelo seu único amigo, Grag Wildmore, o qual permaneceu sério e entristecido, todos em volta riam do pobre garoto, pois mesmo que estivessem um tanto tocados pelas lágrimas de John, as mentes das crianças estavam voltadas à atmosfera de deboche que o terrível professor havia criado na sala.

- PÉÉÉEEEEEEEEEEEMMM! - suou o sinal.

Salvo pelo gongo! Felizmente já era a última aula antes do recreio naquela manhã de quarta feira. Todos saiam às pressas da classe enquanto Rutherford ainda segurava o bracinho de John. Em seguida o professor se ajeitou e olhando para baixo de maneira tenebrosa para o pequeno garoto, sussurrou:

- Experimente! - franzindo a testa - Experimente contar isso a alguém meu garoto! Faça isso e você poderá ter certeza que a classe ira zombar de você pelo resto do ano! - terminou ele mostrando sua enorme régua.

John se levantou aos poucos, tremendo e sem dizer uma palavra! Agarrou a mochila e um de seus cadernos, todo riscado por alunos zombeteiros, e o colocou dentro dela de maneira tão trêmula que quase não conseguiu.
As crianças percorriam os corredores da escola ligeiramente, não mais que as lágrimas do garoto que já não eram mais possíveis de se guardarem dentro dos seus olhos. Ele corria trêmulo! Corria chorando; chorando de soluçar. Grag corria atrás dele, mas estava distante, gritando para que ele o esperasse.
Ele não só chorava pela humilhação do professor como também chorava ainda mais por saber que Polly, a garotinha que ele tanto gostava, havia presenciado todo o acontecido, e diante daquilo tudo ela apenas fez uma coisa... Riu!
Polly Johnson era uma garota mimada e egoísta. Filha de pais ricos, os quais trabalhavam numa das maiores empresas da cidade, a mesma onde os pais do pequeno John e daquele que era seu maior inimigo, Petter Böhler, trabalhavam. Ela tinha olhos de mel, extremamente lindos, e uma postura doce e delicada. Coisas as quais há tempos haviam conquistado o coraçãozinho do pobre menino.
Ele continuava a correr até que chegou embaixo da escada do salão nobre, um lugar escuro e isolado onde ele e Grag sempre ficavam conversando durante os recreios. Seguia pensando naquele professor e no porque daquilo tudo. Mas não adiantava pensar, apenas chorar e chorar cada vez mais. Ele não conseguia encontrar motivos para tamanha estupidez. Sem contar que não era a primeira vez que algo do tipo acontecia.
Em meio à sombra do lado de baixo daquela escada, o silêncio acompanhou as vagarosas lágrimas de John durante um longo tempo. Sentado em um lugar que era o oposto da área em que ficava toda a escola no recreio, ele só ouvia o piar dos pássaros sobre os degraus bem acima dele. Acima dele, assim como todos pareciam estar. Todos pisavam, riam, e debochavam do garoto; tudo por causa da sua timidez e falta de atitude perante as coisas que lhe incomodavam.
Ele queria muito o seu refúgio! Ele queria muito a sua mãe! Ela tinha o dom de lhe fazer sorrir! Ela, a mestra de dança, a senhorita Elizabeth Diedmann, era sempre um esconderijo para as inúmeras tristezas do garoto.
A maioria do tempo ali ele pensava nela enquanto as lágrimas escorriam do verde de seus olhos. Verde este herdado dela, assim como o loiro de seus cabelos e o jeito de fazer as coisas. Era uma amiga! Era uma irmã! Embora ele realmente tivesse uma, Nicole Diedmann, três anos mais jovem, e por isso, ainda nova demais para ajudá-lo.
Já era quase o final do recreio quando de repente, passos repentinos estrondaram nas escadas sobre sua cabeça e se viraram em direção a ele de forma desesperada. Era Grag, pálido de tanto correr! Sentando-se frente ao garoto e respirando fundo, aliviado por ter chegado, mas ainda em desespero, ele disse:

- John! - respirou fundo - Você não vai acreditar no que você fez!

E antes que ele pudesse perguntar:

- Você esqueceu sua pasta! Você saiu tão rápido da sala que deixou ela lá! John! Me desculpa! Eu peguei ela e corri atrás de você, mas aquele maldito do Petter me parou e tomou ela de mim!
Um espanto preencheu o rosto de John de tal forma a paralisá-lo por alguns segundos. Era como se ele tivesse todos os segredos de sua vida resumidos em forma de poesia, escritas em um caderninho que teria ficado na pasta que acabara de ser roubada.
Imagine sentir que todos seus segredos e sentimentos mais profundos estivessem sendo tomados por alguém!

Petter Böhler era um baderneiro aluno da quarta série, o qual adorava aterrorizar os inocentes meninos das classes mais jovens, assim como John, um inocente garoto da segunda. Ele era muito respeitado por todos os alunos. Era excessivamente forte para sua idade, o que garantia seu respeito. Era um garoto bonito, extrovertido, e arrogante. Sem contar que Petter era um garoto rico, o que lhe creditava um respeito ainda maior; sendo filho de Marcus Böhler, integrante das empresas Fycoon, na qual este e o pai de John eram administradores. Os pais de muitos outros alunos daquele colégio também pertenciam a tal empresa, assim como os de Polly.
Mas então, o pequeno John não se conformou! Sem dizer nada ele simplesmente disparou a correr escada à cima, sem mesmo esperar o amigo se levantar. Ele corria feito um louco! Chegou até a esbarrar na multidão de crianças que andava pelos corredores. Nisto acabou esbarrando de frente a um senhor de uns dois metros de altura que também vinha correndo desesperado com um bebe no colo indo sabe-se-lá para onde! John não entendeu o porque, mas aquele indefeso bebe pareceu transmití-lo algo poderosíssimo.
O Sr.Flunders, inspetor do colégio, chegou a abordá-lo com um grito meio que de longe, mas ele não deu ouvidos. Ele não pensava em nenhuma outra coisa a não ser ter o seu estimado caderno de volta. Antes que ele pudesse gritar ao ver seus segredos nas mãos de Petter, o sinal havia disparado pelos corredores da escola, o que apontava o começo de mais uma aula; ou seja, o professor Rutherford já estava a caminho! Ele não podia deixar que aquilo acontecesse! Em flashes de segundos ele já imaginava a humilhação que iria sofrer caso Rutherford resolvesse recitar seus segredos em forma de poemas para que todos pudessem ouvir.

- PETTER! ME DEVOL...

Sem querer escutar o pedido desesperado de John, Petter se aproveitou de sua força e levantou-o pela camisa, enquanto continuava a olhar para o tal caderno dizendo:

- OLHA! O retardado escreve poemas! - e caiu na risada junto aos muitos que os rodeavam - Olha só esse: Olhos de mel!

Ele disse em tom afeminado, soltando o garoto, que logo caiu ao chão. E assim, começou a recitar o mesmo:

“Acordo cedo, o café já está pronto!
Levanto-me da cama parecendo um tonto!
Pois fico abobado lembrando uma menina
Que todo dia espera seu pai na esquina.
Sou louco por ela, eu a daria quase tudo!
Como eu seria um cara sortudo!
Mas meu desejo fica apenas no papel.
É apenas um sonho, seus olhos de mel. ”

Um breve silêncio tomou conta do lugar onde eles estavam. Como poderia uma criança de apenas sete anos escrever um poema de nível tão acima de sua idade? Todos ficaram um pouco comovidos com aquelas simples palavras, mas os sentimentos eram confusos naquela hora. Ninguém esperava ouvir algo daquele jeito, e por essa razão, e mais o fato de Petter Böhler ajudar, todos caíram na gargalhada.

- OLHA SÓ! - exclamou Böhler - O retardado ama a Polly! - riu levando as mãos ao joelho - Só ela que espera a mãe na esquina e tem olhos de mel na segunda série.

Enquanto Petter se distraia procurando a garota, mais uma vez John se abismava com o estilo e autoridade que ele possuía. Num reflexo em meio ao desespero, por alguma razão, ele encarou mais uma vez o colar de Böhler, uma jóia que Petter sempre usara a qual simbolizava a família do mesmo.
O colar de Böhler fixava-se em suas memórias. Angustiantes memórias.
O colar engessava em seu inconsciente um sólido de revolta e inveja; o símbolo de uma personalidade forte e respeitada.
Então, num ato de desespero, o pequeno John se ergueu do chão e avançou para pegar o seu caderno das mãos daquele patife. E ele conseguiu! Logo se atirou para dentro da classe e correu até os fundos temendo a reação de Petter, que para sua sorte, foi muito tranqüila.
O grandalhão, apesar de nem ser daquela classe, entrou novamente na sala, agora cochichando alguma coisa com alguns colegas. Apenas olhou para John bem ao fundo e sorriu de maneira sarcástica como se algo estivesse prestes a acontecer. Com os olhos vermelhos de tanto ter chorado, com o coração batendo ligeiramente por tanto atrevimento, e com as pernas doendo por ter batido quase em todas as carteiras para correr até os fundos, John parou e ficou sentado por ali até chegar o temido professor.

- SILÊNCIO! - gritou Rutherford - Qual o motivo para tan...

Ele parou a frase quando percebeu John sentado aos fundos.

- JOHN DIEDMANN! - gritou - O que faz ai nos fundos, garoto? - disse pondo as mãos na cintura.

De repente a previsão de John se confirmara! Petter se levantou vagarosamente da carteira e olhou para Rutherford dizendo num tom sarcástico:

- Calma professor! - olhou de lado para John - O nosso garotinho está apaixonado! - a classe riu - O senhor não gostaria de ler o “poeminha” que o nosso John fez para...

Ele fez uma pausa e apontou a garota, dizendo:

- Polly Johnson?

A classe ficou em silêncio, aguardando ansiosa a resposta do professor. John suava a desespero observando a reação da garota. Ela olhou raivosamente para cima, num ar revoltoso. Um gesto de total impaciência com a situação. John ficara arrasado. Em segundos viu seus tão sonhados olhos de mel se transformar em olhos de fogo! Um fogo faiscante que o encarava de maneira a parecer querer matá-lo. Aquilo era um amor de infância, um flerte inocente, um sentimento puro e novo que ele jamais havia sentido. Ele era apenas uma criança, inconseqüente e insegura. Estava começando a conhecer o prazeroso doce da paixão, o qual já vinha sendo amargado pelas revoltas dos recentes acontecimentos.
Rutherford se aproximou de Petter e estendeu o braço encarando a mão direita do garoto como se fosse apanhar alguma coisa. Aos fundos da classe, John parou de olhar para Polly e também encarou as mãos do rapaz.

- O que você está fazendo mais uma vez nesta classe Sr.Böhler? Deixe me ver isto!

E Rutherford pegou violentamente das mãos de Petter uma folha rasgada nos cantos a qual ele olhou e recitou as primeiras palavras. Foi então que ele tomara um dos maiores susto de sua vida!

- Olhos de mel! - começou a ler o professor.

Impossível! Petter havia conseguido segurar a folha quando John tomou seu caderno de volta! O tempo parou. As vozes haviam cessado. O coração disparou. Se sentiu abandonado. Sentado aos fundos, isolado, ele abaixou a cabeça e encarou o chão como se nunca estivesse tão acabrunhado. Ele sentia os olhares voltados para ele, ele ouvia sussurros, mas continuava a encarar o chão, mas agora... Sem lágrimas! Já havia se conformado com tamanha humilhação.

- Agora é A hora do show! - Exclamou Petter novamente.

Ele só ouvia a voz do garoto Böhler, a qual já ia se tornando a melodia das revoltas de seu passado. Naquele momento nada mais importava. Rutherford começou a ler.

- Acordo cedo o café já esta pronto...

De repente, sem perder a tranqüilidade e sem parar de encarar o chão; John se levantou de maneira tão rápida que chamou a atenção de todos, até do professor que deu uma breve pausa, mas logo continuou:

- Levanto-me da cama, parecendo tonto...

Foi quando Petter completou em seguida:

- Mas tonto ele já é!

A classe caia na risada enquanto Rutherford levantava a mão criando o silêncio novamente, a não ser por dois passos barulhentos que John deu à frente ainda encarando o chão, parecendo um louco, ou alguém prestes a fazer algo terrível. Rutherford encarou John atravessado; ninguém conseguia ver os olhos do garoto. Sem pensar duas vezes, ele prosseguiu:

- Pois fico abobado lembrando uma menina...

Ninguém mais olhava para o professor, o qual começou a ficar super concentrado no tal poema. Todos fecharam seus sorrisos de deboche ao olharem para como John estava: Suando frio, punhos fechados, tremendo a raiva, e dando uns dois passos a cada frase do poema que era dita; sendo que cada frase fazia sua raiva aumentar cada vez mais. Os alunos estavam assustados.

- A qual todo dia espera seu pai na esquina. Sou louco por ela, eu a daria quase tudo! Como eu seria um cara sortudo...

Se aproximou ainda mais, dando alguns passos à frente, fechando o punho cada vez mais raivoso. Todos continuavam a olhar para ele em silêncio. Talvez a única pessoa que prestasse a atenção no poema naquele momento fosse Polly, pois o restante da classe não tirava os olhos do garoto, o qual não parava de encarar o chão e se morder de tanta raiva. O professor já iria ler as últimas frases do poema quando John acelerou um pouco mais o passo. Percebendo a movimentação ligeira do aluno, o professor se alterou, aumentou a voz, e leu as últimas palavras dando pequenos passos para trás, deixando sua enorme régua de madeira sobre a mesa.

- Mas meu desejo fica apenas no papel...

O professor continuava enquanto via John chegar quase a sua mesa, a qual sentado bem de frente, estava Petter, levemente boquiaberto com o que presenciava. A poucos metros da mesa do professor, John começou a erguer a cabeça vagarosamente, procurando pelos olhos de Rutherford que iria ler a última frase e revelar a todos um dos seus mais íntimos segredos.
Os olhos verdes de John começaram a ser vistos por todas as crianças ali sentadas. Eles faiscavam tanto que o tom esverdeado dos mesmos ficava mais claro a cada passo repentino que ele dava. Assim que ele já se encontrava na metade do corredor da fileira, todos viram o garoto começar a correr desesperadamente! O professor Rutherford notou a loucura e recuou para traz gritando a última frase do poema:

- É apenas um sonho, seus olhos de mel!

O garoto disparou em direção à mesa do professor! Pegou a enorme régua de madeira de cima da mesma; segurou-a com as duas mãos, e num gesto jamais esperado, girou-se e arrebentou a mesma na cabeça do traste impiedoso chamado Petter Böhler!

.........................................................!

Inacreditável! O pânico foi imediato! Como poderia ele, o pequeno John Diedmann, ousar fazer algo tão violento?
As fagulhas de madeira da régua partiram-se pelo ar! Fagulhas que flutuariam as Lembrancas de John e assombrariam o seu intimo até o dia em que finalmente elas pousassem no chão do esquecimento... Ou do conformismo... Ou talvez... Da superação.
Enquanto isso, próximo dali, o professor Rutherford via tudo levando as mãos próximas à boca, perplexo e imóvel diante da fúria que se criara no garoto, que gritava:
- RIA AGORA! RIA DE NOVO SEU IDIOTA! Agora é A hora do show! Não é?

John gritava quando foi para cima de Petter, o qual estava dantes, sentado na carteira, porém agora, estendido no chão da sala. Petter e John capotaram violentamente ao chão! A carteira caiu, enquanto os demais se levantaram espantados. Rutherford abaixou as mãos e as meninas começaram a entrar em pânico, gritando tanto que pareciam acabar de terem visto uma assombração!

- RIA DE NOVO PETTER! Agora é A hora do show! - continuava John.

E esmurrava o garoto que estava por debaixo, já estando o mesmo meio atordoado com a reguada!

- PORQUE VC NÃO ESTÁ RINDO?

Ele continuava a falar com lágrimas de tristeza e fúria que se fundiam em seus olhos. Ele não parava de golpear a Petter! Havia tirado uma fúria tão grande de sua alma que sua força parecia estar trêz vezes maior.
Desesperado com a situação, o professor Rutherford correu até os dois garotos enquanto gritava para que John parasse. Era uma raiva tamanha, a qual fez com que ele, quando sentiu as mãos daquele velho imbecil sobre seu ombro, virasse e disparasse um tabefe na fuça do mesmo!

- SUMA DAQUI! - gritou John, enquanto o professor recuava.

E logo voltou a olhar abaixo dele:

- RIA PETTER! O QUE ACONTECEU COM VOCÊ? NÃO É SÓ ISSO QUE VOCÊ SABE FAZER?

E continuou a atacar o garoto enquanto já perdia as forças e as lágrimas escorriam de seus olhos entristecidos.

- Ria! Ria pro show...

John sussurrava e soluçava as palavras, chorando quase como um bebê, enquanto Petter o olhava, mas permanecia imóvel, atordoado, e um tanto comovido com o sofrimento do garoto. Facilmente ele poderia dar uns murros em John e acabar com aquilo, mas o sofrimento notório do garoto havia o tocado profundamente.
John saiu de cima do garoto soluçando em lágrimas e se sentou exausto bem a frente dele. Os dois ficaram imóveis! Ambos assustados.
Ele chorava como nunca enquanto Petter continuava pasmado, porém agora, com o coração partido por ter visto... Um dos choros mais tristes de toda a sua vida.

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